4 de jun de 2007

Conflito de gerações

Este fim-de-semana foi aproveitado para estar com a família e fazer um balanço de tudo o que foi aprendido no último fim-de-semana.

Durante a semana estava eu a tomar um café com um amigo ao final da tarde, a fazer uma análise daquilo que foi ensinado durante o seminário do mestre Pantazi e eis que surge esta conclusão. Nós karatekas estamos a anos luz destes gajos do Kempo.

Durante o seminário falava eu com o Sensei Álvaro Silva (o do mau feitio) e chegámos à conclusão que em termos de execução de sequências técnicas nós karatekas estamos muito aquém da rapaziada do Kempo.

Por muito que me custe, tenho que dar razão a estes dois instrutores nestas afirmações.

Enquanto grande parte das artes marciais procura evoluir para um estadio mais elevado, nós karatekas tentamos resistir aos ventos da mudança, ao aprofundamento daquilo que fazemos, afirmando que a tradição só se mantém desta forma.

Claro que existem aqueles que dizem que o aspecto desportivo no Karate é sinal de mudança. Eu acredito que é um sinal de mudança, será no entanto uma mudança benéfica para a arte marcial em si?

Uma das coisas que eu mais admiro no Kempo é que apesar de terem as suas actividades desportivas, nunca deixaram essas mesmas actividades influenciar a sua visão de arte marcial, uma arte basicamente orientada para o aspecto da defesa pessoal.

A um mestre de Okinawa (Yabu Kentsu) quando visitava o Hawai foi lhe perguntado o que achava do Ju-Jutsu, ao qual respondeu que era apenas 10% do Karate.

Não sei bem qual era a sua intenção com esta afirmação, mas será que ele queria dizer que o Karate era uma arte muito completa?

Não existem dúvidas em relação à competência deste mestre contemporâneo. Ele foi um dos principais impulsionadores do Karate de Okinawa, acho que pelas mãos dele passaram Mestres como Mabuni e Funakoshi.

Será que chegámos à meta final do Karate?
Será que não existe mais nada para alem do túnel?

Eu não acredito, o fim-de-semana passado tive a prova que existe luz ao fundo do túnel, infelizmente teve que ser um “gajo” do Kempo a mo demonstrar.

Certamente vivemos uma nova era do Karate, no entanto o desporto é limitativo à arte marcial.
Apesar do meu discurso ser um pouco “esotérico”, aqueles que me conhecem sabem que sou uma pessoa que acredita no aspecto puro e duro do Karate (para mal dos meus pecados), apesar de advogar que os Katas estão a ser mal interpretados e coiso e tal… não sou o tipo de crente que acha que se for para a montanha virá de lá iluminado como uma luminária.

Se calhar estou no meio de um conflito de gerações, se por um lado percebo e apoio a actividade desportiva, por outro, creio que existe muita coisa que não foi espressa e que provavelmente irá passar despercebida a grande parte das gerações futuras.

Mais uma vez no meio… (das gerações).