21 de mai de 2007

”This is a man`s world”.


Este Sábado foi dia de torneio na Arrentela. Apesar dos resultados terem ficado um bocado áquem das minhas expectativas, não acho que os meus alunos me tenham desiludido. A minha Ritinha trouxe um primeiro lugar em Kata e todos os outros passaram as primeiras eliminatórias.

O Rafael está cada vez mais confiante e sem pressa para se despachar a fazer a Kata (Ricardo, deves ficar orgulhoso do puto).

Durante a semana a Sensei Mieke da Bélgica e o marido estiveram em Portugal a convite do mau feitio do Álvaro Silva, que lhes mostrou a serra de Sintra e o Palácio da Pena. Aqui o amigo mostrou-lhes a bela terra da Ericeira/Mafra e como não podia deixar de ser o belo do “Zé Franco”.

Gostei muito desta visita, foi agradável estar com este casal.

A Mieke e o Álvaro conhecem-se há 19 anos, desde o Gasshuku de Portugal. Na altura eram 1º ou 2º Dan, hoje o Álvaro é 5º e a Mieke é … 3º, no entanto a Mieke nunca parou de treinar.

Apesar de ser uma das mais antigas praticantes de Goju na Bélgica, provavelmente é um dos muitos karatekas Belgas 3º Dan`s.

Isto vem pôr em questão um assunto que já andava aqui na minha cabeça há muito tempo.

Vamos lá fazer uma ginástica cerebral; Quantos Mestres conhecem?

De todos quantos deles são gajas? Vamos por de parte orientações sexuais.

Pois é, como dizia a outra.”This is a man`s world”.

Existem pessoas que são descriminadas por terem uma cor diferente, por serem mais gordos (estava mortinho para dizer isto), por serem gajas…

Os meus melhores alunos são do sexo feminino. Pronto, exceptuando o Gonçalo. E eu nunca vi nem nunca descriminei um aluno por ser diferente…

Será correcto exigir o mesmo a um aluno do sexo feminino relativamente ao que exigimos a um do masculino?

Mais, será que levamos a sério uma aluna que nos diga que quer chegar a cinto negro e dar aulas?

Bem, vamos olhar um pouco para a história, muito antes de Kanryo Higaonna

Durante o início do período Qing Kanxi (1662-1723 d.C.) existia um senhor chamado Fang, Zhen Dong que ensinou artes marciais (provavelmente Punho das Cinco Formas “Wuxing Quan”) à sua filha Fang, Qi Niang.
Ela costumava ir para um rio perto de sua casa onde observava os grous a caçar, a brincar na água, a saltar, a sacudirem-se a gritar, a pousar, a dormir, etc.

A partir destas observações, ela combinou o que havia aprendido dos movimentos dos Grous com o estilo do seu pai, criando assim o estilo do Grou Branco do Sul.

Mais tarde crê-se que um aluno de Fang ensinou a Pan Yuba, que por sua vez ensinou Ryu Ryu Ko e este ensinou Kanryo Higaonna, claro que passei alguns pormenores mas isso fica para uma postagem posterior.

Moral da história, se o famoso estilo de Goju Ryu tem a sua origem numa GAJA, como é possível haver descriminação no Karate?

Não me digam que também existe aquele discurso dos americanos puros…defendido pelos membros do KKK … e os índios???

Enquanto grande parte dos Karatekas modernos discursam por um Karate moderno, por um Karate desportivo, vão se esquecendo que existem gajas a fazer Karate e depois dizem que existem grandes “Mestras” no panorama, sem no entanto fazerem parte dos quadros federativo.
Ahhhhhhh…existe uma que trabalha na federação e faz serviço de secretariado.

“This is a Man`s world”, mas há que olhar para as mulheres com respeito, pois quem sabe se um dia não apanhamos uma Rosanne Driscoll…