8 de mai de 2007

“Let the body hit the floor”

Durante um treino e ao executar uma pressão sobre um ponto, um dos participantes comentou…
“É como uma reacção natural para fugir…”

O que me levou a considerar as minhas próprias questões:

As disfunções não serão reacções naturais do corpo?
Será que conseguimos distinguir uma disfunção de uma reacção?

Quando estamos de fora, conseguimos aperceber-nos quando existe uma disfunção. No entanto quando estamos a viver “in loco” uma acção, o nosso corpo diz-nos apenas para fugir.

Uma das expressões que eu gosto de utilizar para definir Kyusho, é o termo “primeiro segundo”.

Existe muita especulação em relação ao Kyusho. Grande parte das pessoas quando procura o Kyusho na Net, vai deparar-se não com o aspecto de “primeiro segundo”, mas sim com o KO.

Nitidamente existem 3 posições em relação ao Kyusho. A primeira defende o Kyusho como a arte suprema, a segunda acredita que existem certos pontos sensíveis no corpo humano e a terceira não acredita que existem pontos e que isso é tudo uma grande treta.

Apesar de todas as partes defenderem as suas convicções com unhas e dentes, existe um princípio comum em todos os discursos. A eficácia perante um adversário mais forte, mais rápido, mais…mais…mais…

O que é estranho é que todos partilham da mesma ideia, que é possível ganhar a um adversário que seja mais qualquer coisa do que o outro.

Pessoalmente não acredito que o Kyusho resulte a 100%. Existem diversas variáveis necessárias para poder tornar o Kyusho a “arte suprema”.

Será que acreditamos que o Karate resulta sempre numa situação de conflito?
Pessoalmente acho que não.

Será que isso faz o Karate mais eficaz ou menos eficaz?
Se calhar isso não é o mais relevante.

Toda a gente sabe que os pontos utilizados no Kyusho são os pontos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).
Mentira, nem todos, a carta de MTC é uma referência para a localização dos pontos e não é, como muitos pensam, o mapa para a localização dos pontos.
Um ponto na MTC tem uma dimensão minúscula, por conseguinte é praticamente impossível atingi-lo com a ponta de um dedo.

Como costumo dizer, uma coisa é falar de toiros, outra é toureá-los.

Uma coisa é certa, existem muitos “Guerreiros Virtuais”, poucos são aqueles que tem coragem de questionar e pisar o Tatami para provarem o porquê das suas dúvidas.
Claro que poucos são aqueles que vêm que o Kyusho poderá (e aqui acentuo o poderá) ser mais uma ferramenta para a sua arte marcial.

Um dos grandes problemas com que os artistas marciais se irão sempre deparar, é com o chamado “Síndrome de Guru”. Haverá sempre alguém que se há de achar “especial”, mas a esses, apenas poderemos responder com um trabalho sério, o resto, apenas a história poderá relatar…

Aconselho vivamente a lerem a postagem do Ricardo Gama no Blog kyushopt

Se virem o clip desta semana, vão reparar que independentemente daquilo que possamos fazer, vai existir sempre alguém que se considera “especial”. E apesar de nos rirmos, vai haver sempre uma legião de discípulos prontos a segui-los, vão existir pessoas que não acreditam e vão aparecer outros que acreditam mais ou menos assim-assim.

Por isso, pensem, “Let the body hit the floor” e se não for à chapada em estomago-5 que seja com o casaco do Gi.
Já agora, não se esqueçam que faltam menos de 20 dias para a vinda do mestre Pantazi.