12 de mai de 2007

Kata (Maio 2007)

Isto é mais uma reflexão sobre Kata e Bunkai.

Por muito que se fale, fica sempre mais alguma coisa para dizer sobre Kata.

Se pegarmos num conjunto de Kamaes e os alternarmos uns atrás dos outros, provavelmente arranjamos uma Kata.

Existe uma teoria em relação às Katas, que acho que deve ser encarada com alguma atenção.

Antes da introdução das artes marciais chinesas em Okinawa, existia uma arte marcial a que lhe chamavam de Te, Ti ou Di (consoante a pronuncia). Esta arte marcial era ensinada exclusivamente a um número restrito de pessoas, geralmente relacionadas com a família real Uchinandi.

Existem muito poucas pessoas com um conhecimento profundo sobre esta arte marcial, pelo menos fora de Okinawa.

O Sensei Chojun Miyagi antes de se tornar aluno do Sensei Kanryo Higaonna, treinou durante um ano com o Sensei Aragaki. Que arte marcial? Não existe muita informação em relação a isso.

Voltando aos Kamaes, todos os Kamaes têm um objectivo, ou Bunkai. Podemos fazer um treino apenas com um par de Kamaes, basta treiná-los em Kihon e depois em Bunkai. Claro que isto se pode tornar uma seca e provavelmente não iríamos ficar muito tempo a fazer “Hari Uke” para a frente e para trás. Mas acho que estão a apanhar o significado e o objectivo deste parágrafo.

Quando o Sensei Chojun Miyagi foi à China em 1915 e demonstrou uma série de Katas, foi-lhe comentado que o que ele fazia eram artes marciais muito antigas e que já não se praticavam.

Agora a minha questão é esta…porque é que não encontramos Katas ou formas idênticas às do Karate nas artes marciais chinesas?

Encontramos e isso sim muitos Kamaes idênticos, mas não combinações técnicas.

Será que o que foi feito, foi introduzir um conjunto de Kamaes com uma série de interpretações de Te?

Será que Karate “Mão da China” significava uma aproximação Chinesa às técnicas de Okinawa?

Apenas tenho a certeza de uma coisa, não tenho certeza de nada…