26 de out. de 2009

Posições (Tachi / Dachi)

Uma das coisas que mais me intriga é aquilo a que "certos" instrutores chamam de "Tradicional".
As Kata fazem-se desta maneira porque são tradicionais...

As aplicações (Bunkai) Tradicionais são estas...

Bem...
No meu Dojo, é tradição levar uns carolos quando o pessoal se engana naquelas coisas básicas...por ex.

Não começar a Kata em musubidachi, quando faz um movimento a mais numa determinada sequência e outros...

Daqui a ... sei lá, 30 anos, a tradição vai ser, sempre que te enganas vais levar carolos, em vez de fazeres flexões.

Isto deixa muito para pensar, afinal o que é tradição?

Na minha óptica, tradição é o/um conjunto de valores que se vão transmitindo de geração em geração.

Muitas vezes as pessoas confundem tradicional com básico. Mas mesmo assim, o básico é sempre relativo, pois o que é básico para mim, pode ser complexo para o vizinho do lado.

Toda esta lenga-lenga serve para dizer o quê?
Para dizer nada, serve sim para sorrirmos quando alguém nos diz na cara que faz aquele Kata/bunkai tradicional, como se fosse ele o sabedor e fiel depositário de toda a tradição adjacente ao estilo que pratica...

Este fim-de-semana houve Kyusho...
Uma das minhas preocupações em trabalhar com o pessoal foi a movimentação.
Houve uma pessoa que me perguntou se a movimentação que eu faço é característica do meu estilo (Goju), ao qual eu respondi que não sabia... A minha preocupação é apenas, movimentar-me.

Realmente isto da movimentação é uma questão pertinente, muitas vezes preocupamo-nos com os pormenores dos braços e das posições das pernas, negligenciando muitas vezes os ângulos das Katas. Muitas vezes (ou sempre?) esses ângulos transmitem-nos uma movimentação em determinada direcção.

As posições (altas ou baixas) funcionam como uma forma de treinar os membros inferiores. Consoante os objectivos pretendidos, as posições vão variando.
...
Durante a semana vou postar mais sobre esta temática...

15 de out. de 2009

Foco

Bem sei que tenho andado menos activo na blogosfera, mas isso não significa que estou menos motivado, significa que tenho tido algum trabalho e estou mais ocupado com diversas actividades.

Regularização da Kaizen Karate Portugal
Preparar a vinda do mestre Jim Corn a Portugal:
▪ Kyusho Tactical Control Program (Instrutores da Kyusho International)
▪ Seminário inter-disciplinas (Público em geral)
As minhas aulas:
▪ Karate
▪ Kyusho
▪ Defesa pessoal
Preparar o 1º estágio nacional da Kaizen Karate Portugal
E por fim “the last but not the least” o meu trabalhinho

Enfim, como podem ver, o rapazinho tem muita coisa para fazer e tratar.

Tudo isto leva-me muitas vezes a reflectir num tema importante:

Foco…

Muitas vezes quando tentamos fazer muita coisa, perdemos a nossa capacidade de nos focarmos e muitas vezes em coisas muito importantes.

Uma das coisas que eu falo aos meus alunos é a necessidade e a vantagem de se treinar Karate de corpo e alma. Quando entramos no Dojo é importante deixarmos todos os problemas lá fora (se possível). Quando falamos com praticantes de outras modalidades individuais (neste momento está-me a vir à mente os surfistas) quando lhes perguntamos o que é que eles pensam quando estão a “descer” a onda, os mais experientes dizem “em nada”, deixam-se levar pelo “flow”.

Nós karatekas devíamo-nos deixar levar mais pelo “flow” fazer por fazer, fazer para o movimento se tornar parte integrante do “eu”, deixarmo-nos levar pelo simples prazer de fazer as coisas, sem pretensões a lugares de pódio, sem pretensões de sermos “catalogados” como os gajos bons, ontem fizemos a esparregata. Hoje levantamos as pernas apenas à altura da cintura, no entanto esse é o meu melhor e tenho de ter a consciência que estou a ir no meu “flow”.

Pessoalmente, sou uma pessoa que tem muitas ideias, e por vezes boas ideias, no entanto, muitas vezes essas ideias não param de bombardear o meu cérebro.
Por esta razão o meu “main problem” é o foco. Necessito que certas forças superiores me puxem os pés para a terra. Necessito de me focar num objectivo; dois objectivos já são muitos, três são um inferno. Necessito de abrandar um pouco para me poder focar.

Mas este sou eu… “Me myself and I”

Moral da história, vou tentar concentrar-me um pouco no Blog, vou tentar aparecer um pouco mais nas actividades Karatekas, para poder papaguear um pouco mais neste blog.

5 de out. de 2009

Cobras venenosas

Pois é! Esta semana estão expostos os animais mais venenosos do planeta no “Freeport” de Alcochete (quase todos).
Veneno - Clique aqui
A exposição oferece uma abordagem a este mundo desconhecido. Trata-se de uma exposição que mostra a face dupla desta natureza letal.Os venenos têm incomodado o ser humano desde a origem dos tempos por ser um perigo oculto à vista e muitas vezes desconhecido e incompreensível.Mas o certo é que muitos seres contêm substâncias tóxicas ou venenosas, o que implica sofisticados enredos de criação, armazenamento e injecção desse veneno.

Algumas substâncias venenosas podem provocar alterações graves da saúde, mas simultaneamente, algumas delas, em doses adequadas, podem ter efeitos benéficos ou inclusivamente medicinais.

Aconselho vivamente a visitarem esta exposição, são aceites inscrições de grupo, pagam 35€ por ano e nem precisam de visita guiada.

Como distinguir as cobras venenosas
Pelo formato da língua: a das venenosas é triangular. Isso, pelo menos, é o que se costuma dizer por aí - mas trata-se de uma generalização perigosa.

A diferenciação entre elas está longe de ser tão simples, mas existem tantas excepções à regra, pelo que por si só é insuficiente.

O método mais seguro é observar a chamada fosseta loreal. "Todas as serpentes venenosas, com excepção da cobra coral, são dotadas desse orifício, que não aparece nas não-venenosas".

As principais características delas é que as venenosas podem ser avistados de dia, as mais perigosas pertencem ao grupo dos crotalíneos, agrupadas em três géneros:

Bothops, também conhecidas como Jararacas;
Crotalus, popularmente chamadas de cascavéis;
Lachesis, as suru(ru)cucus.

Formas de curar um Envenenamento:
Os mais frequentes são o envenenamento pelo dióxido de carbono (respiração = som)

Sinais e Sintomas
A vítima começa por sentir um vago mal-estar, seguido de dor de cabeça, zumbidos, tonturas, vómitos e uma apatia profunda que a impede de fugir do local onde se encontra.
A este estado segue-se por vezes o coma…

O que deve fazer:
- Ao chegar ao local, conter a respiração e abrir a janela;
- Voltar ao exterior para respirar fundo;
- Arrastar-se para um local arejado;
- Denunciar emails como Spam;
- Fingir que não houve o telemóvel.

No entanto existe uma solução realmente eficaz de repelir as cobras… mas sem as prejudicar:

Clique aqui ...

28 de set. de 2009

Falar por falar

Ainda há pouco tempo e em conversa com amigos, veio a lume a forma como certas pessoas falam umas das outras.

Muitas vezes são questionadas as capacidades técnicas, inter-pessoais, gestão... Vou contar-vos um segredo…

Estou a borrifar-me para essas conversas, não quero saber, não me afecta.

O Sol não se deixa de levantar por causa disso, cada um sabe de si e Deus sabe de todos.

Porque é que me havia de preocupar?

Na minha actual forma de estar, quando oiço as pessoas a queixarem-se de algo fico triste por elas.

Por norma, as pessoas que se queixam, são pessoas que querem que as coisas sejam feitas à maneira delas.

Por isso e vistas as coisas de uma perspectiva pouco comum, seria preocupante ouvir…

- As consequências destas acções...
- Estas vão ser as vantagens em fazer as coisas desta maneira…
- Estamos a fazer isto....

Se não ouvirmos as opiniões e as razões para fazermos as coisas de forma diferente, o que estamos a ouvir é uma forma de frustração de alguém que tem a necessidade de fazer as coisas à sua maneira.

O fim-de-semana passado falava com o Mestre Pantazi em relação aos tipos de agentes de ensino.

Uma das questões que ele me colocou foi esta:
Se as pessoas não têm alunos ou não são seguidos, porque é que insistem em se intitularem como "Mestres"?

A palavra "Mestre" neste sentido, não é dada com a intenção de definir a mestria de um indivíduo em determinada matéria, mas sim com a nobre intenção de se definir como "Líder" de um grupo.

A resposta provavelmente será "Ego", no entanto, eu sou das pessoas mais suspeitas para falar nisso, pois o meu é bem grande e por vezes tenho grandes dificuldades em o controlar. Por isso disse ao Mestre que ia reflectir e depois dava-lhe a resposta.

Como diz o Ricardo Gama...
"Mestre?
hum,hum..."

Se não apresentamos "uma" solução, fazemos parte do problema.

Interessante? Não?

Já agora?
E se os problemas nos perseguem?
Será "Impulse"?

17 de set. de 2009

ARTES MARCIAS .PT

A criação da nova lei de base do desporto onde se prevê não só a a prática desportiva, mas tambem a prática fisica (pode-se enquadrar as Artes Marciais, Desportos de Combate e Sistemas de Defesa Pessoal neste grupo) vem lançar um tema polémico em relação a esta área, onde se vão enquadrar todas estas modalidades? Será que se vai cair numa fase obscura de prática, semelhante ao tempo do Estado Novo? Onde os Mestres dos nossos instrutores treinavam e ensinavam às escondidas?

Muita gente vê o novo diploma como um bicho papão, onde apenas os licenciados em ciencias do desporto estão autorizados a exercer as funções de ensino neste tipo de modalidade. Para muitos isto é uma vitória, para outros uma desilusão.

Todos nós conhecemos pessoas que se formaram em desporto, algumas dessas pessoas limitaram-se a estudar o essencial. Depois, temos os agentes de ensino das diversas modalidades marciais, alguns deles com mais de 30 anos na área de ensino, e que continuam a pesquisar e a estudar.

E agora?? O que vai ser feito de todas essas pessoas?

Na minha opinião, este é o grande desafio dos praticantes marciais do Sec XXI, a luta pela sua sobrevivência, legal, e condigna, sem receios de ser diferente. Pode parecer um clichet utilizado de uma forma simplicista mas creio que é tempo para se dizer, somos diferentes, mas somos iguais.

A minha (não) vasta experiência marcial, fez-me cruzar com diversos artistas, praticantes e apaixonados das marcialidades, apesar de se encontrarem enquadrados legalmente debaixo de Federações e Associações reconhecidas pelo estado Português, neste momento estão a braços com um grande problema, perante o mesmo Estado, não tem expressão em termos de praticantes para serem reconhecidos como Utilidade Pública Desportiva, o que os empurra (grande parte)para o ilegal, pois deixam de ter enquadramento legal.

Uma das máximas ensinadas neste tipo de modalidade, é a tolerância, aquela que muitas vezes nos falta quando falamos do Instrutor "diferente" que ensina aquela "coisa" diferente da que fazemos, ou mesmo do Instrutor que decidiu abandonar a organização ou mesmo o estilo, para seguir o seu próprio caminho, alguns estão a pensar na Graduação, Nivel ou mesmo Status, não será isso tambem a escolha de um caminho? Cada um sabe de si e Deus sabe de todos, as acções ficam para quem as comete.

Uma das minhas interrogações vão para modalidades "menores" (em número de praticantes) como o Farang Mu Sul que vai ser colocada no mesmo patamar que o Kempo, que apesar de ter (relativamente) muitos praticantes não consegue o estatuto de Utilidade Publica.



E o Hapkido? Que apesar de ter ligações ao "Monstro" do Taekwondo não irá conseguir o estatuto (??).

Perdoem-me o egoismo, e o meu Kyusho (Pontos de pressão)? Que é praticado (directamente e indirectamente) por grande parte das modalidades, e o Kobudo de Okinawa?

Creio que está na altura das modalidades se unirem e criarem uma organização independente onde se possa agregar todas as modalidades, sem complexos de diferenças e estatutos.
Uma união destas só traria dignidade e projecção ás modalidades em Portugal, provavelmente tornar-se-ia na mais forte organização Portuguesa.

Mas para tudo isto poder acontecer, teriamos de esquecer o passado, para partirmos para o futuro. Será que temos maturidade para isso?

Ou vamos correr o risco de deixarmos cair por terra o que nos ensinaram e transmitiram?

15 de set. de 2009

INICIO 2009/10

Depois de umas férias merecidas, eis que cá estou para mais uma temporada.

Este ano vai ficar conhecido como o quente ano de 2009.

Depois de uma assembleia-geral federativa quente, foi convocada uma outra "mais morna".

Foi o ano em que se formou uma nova associação, a KKP-Kaizen Karate Portugal, uma associação com 12 instrutores e uma porrada de centros de prática, como podem calcular, isto ainda dá trabalho.

Espero que os espaços sejam respeitados e que não se ande pelos cantos das casas alheias a falar mal do passado.

Kaizen significa melhoramento contínuo, o passado ficou para trás, o respeito pelo Sensei Álvaro mantém-se, e o compromisso de trabalho conjunto.

Boa sorte para todos nesta nova jornada.


Quanto ao Kyusho, esperam-se mexidas na estrutura internacional e espero que os Portugueses estejam à altura da reestruturação, para o bem de todos nós.

Nas Artes Marciais quando se assume uma posição ou um cargo, o que advém dessa função são mais os deveres do que os direitos.

Temos o direito a ter formação adequada para podermos transmitir correctamente aos que treinam e os que treinam tem o dever de se aplicar.

É simples.

Não é correcto ambicionar uma posição para simplesmente "aparecer".

Estamos a tentar agendar mais um Portugal BudoSai, vamos ter novos instrutores, novas Kata e mais e mais.

Espera-se um final de ano intenso.

Quinta-feira faço mais uma postagem, com as novidades do seminário na Alemanha entretanto vão acompanhando as coisas no twitter/super_karate (aqui mesmo ao lado).

9 de jul. de 2009

Final da época 08/09

Cá estamos nós no final da época e esta foi particularmente marcante para mim.
Foi sem dúvida a época que mais viajei em termos marciais, foram fins-de-semana uns atrás de outros a dar treinos de Karate, de Kyusho, de defesa pessoal policial, civil e ainda deu para dar um curso a militares do exército português.

Foi o ano em que o meu pai faleceu...

Enfim.

Esta vai ser a minha postagem de final de época, por isso aproveitem bem...

Vou começar por agradecer a gentileza do Sr. Presidente da FNK-P (João Salgado) pelas palavras de apoio que me deu nos momentos mais difíceis.

Já nos conhecemos há 19 anos, por isso posso dizer que me conhece desde puto das selecções da FPKDA e da FNK e já que estamos a falar da FNK, agradeço a todos os meu ex-companheiros de selecção (treinadores/competidores) as mensagens de apoio, não vale a pena estar a mencionar nomes, pois eles sabem quem são...

Este foi um ano intenso em termos associativos, muitas vezes pelas piores razões, mas conseguimos ultrapassar tudo, como pessoas adultas que somos.

Creio que com as novas reestruturações vamos tornar a GKI mais forte em Portugal, pois ao contrário do que se possa pensar, vamos continuar a trabalhar em conjunto.

Quando se fala de associação, tenho de falar no (Sensei) Álvaro Silva, pessoa com um feitio "especial" (a rondar o mau feitio), cuja a vida foi e é dedicada ao Karate (e outras coisas também).

Desejo-lhe a maior sorte neste novo percurso, nos seus novos desafios.

A vida é assim, existem momentos da nossa vida que são partilhados com os outros e outros em que é altura de arrancar com novos projectos.

Mais uma vez, para aquela família com mais de 2000 anos de tradição, o meu muito obrigado por todo o apoio que me deram neste último ano

Parabéns à Inês pelo exame para 1 Dan.

É o reflexo de (pelo menos) 10 anos de treino (ainda ontem tinha 7 anos quando começou a treinar).

Como não podia deixar de ser, aqui vão uns pequenos coments, que servem a quem servirem.

A quem não servir, serve para reflectir.

Quantos de vocês conseguem dizer os nomes dos membros das selecções nacionais de Karate?

Não sabem?

Então algo de mal se passa na nossa modalidade!

Grande parte das pessoas envolvidas na vertente desportiva utiliza o Karate desportivo para se auto-promover e não o contrário.

O Karate desportivo devia ser usado para promover o Karate em geral.

Os amigos, se me permitem que utilize esta expressão, servem para o que servem.

Quando são verdadeiros não se escondem ou escondem partes importantes da sua vida.

Existem sempre 2 verdades, a A e a B.

Para sermos conhecedores da verdadeira verdade, temos de ser conhecedores de ambas e quando se têm dúvidas, liga-se aos amigos e tiram-se as dúvidas.

Antes que me esqueça e para finalizar.

Este fim-de-semana vai-se realizar um grande estágio inter-estilos com alguns grandes mestres e comigo.

Sim eu sei, estou um bocado perdido ali no meio de um excelente quadro de formadores.

Para mais informações consultem o portugalbudosai.wordpress.com, porque ainda vão a tempo de arranjar lugar (devem restar 10 vagas para fechar as inscrições).

Se quiserem acompanhar aqui o menino de uma forma diária cliquem no twitter/super_karate.com

Em tons de despedida e até Setembro...

Sayonara.

Todo o trabalho merece ser remunerado de forma justa

Como instrutor/mestre (Treinador) de karate, é frequente deparar-me com um dilema que muitos colegas também enfrentam: a questão do dinheiro...