14 de mar. de 2011

A ética do Karate

Depois de um dia com o grupo dos Sensei José Ramalho e Nuno Santos na Golegã e depois de ouvir uma pequena palestra filosófica ministrada pelo Sensei Daniel Ramalho sobre o tema Arte Marcial, cada vez mais tenho a certeza de que o Karate não é uma arte marcial e que tal como o Mestre patrick McCarthy define, o Karate é uma “Civilian Fighting Art”.

Depois de ouvir o Daniel e depois de ter recorrido à net, eis que vai uma pequena reflexão sobre o tema…

A palavra arte é uma derivação da palavra latina “ars” ou “artis”, correspondente ao verbete grego “tékne”. Na sua acepção mais ampla, ars dá a ideia de perícia, de habilidade adquirida em paciente exercício e voltada para um fim definido, fosse esse fim estético, ético ou utilitário. Ou seja, implica uma actividade transformadora realizada pelo homem, uma capacidade de dominar determinada matéria.

Numa postagem anterior dizia eu que Karate não é Budo (Parte 1) e (Parte 2) dentro do sentido de Arte Marcial, está provado que o Karate não era usado nos campos de batalha, mas sim, por pessoas sem grande instrução (estou a falar na generalidade).

A grande revolução/projecção do Karate foi sem dúvida a sua inclusão nas universidades Japonesas, obra essa que se poderá agradecer ao Mestre Funakoshi.

Um outro ponto que se debateu, a parte ética do instrutor de Karate.

É engraçado, apesar de andarmos o tempo todo a ensinar às pessoas como se bate e onde se bate para aleijar mais, não é eticamente correcto um instrutor andar a espancar transeuntes a torto e a direito, não que alguns não merecessem.

Um facto histórico, o Mestre Choki Motobu foi um dos brilhantes Karatekas do seu tempo e no entanto, nunca foi reconhecido como mestre pelos seus pares…

A razão seria que andava de uma forma regular à pancada com os outros… um aparte, o Sr. só fazia Naihanchi…

Como devem ter reparado pela parte lateral do Blog, vou orientar um conjunto de seminários de Bunkai sobre a Kata Pinan, com o Sensei Carlos Pereira.

Apesar desta Kata ser de Shito Ryu tem componentes muito interessantes, que podem ser aproveitadas para outras Kata.

Não é estar a puxar a brasa à minha sardinha (no fundo é), apareçam, vou falar de temas que não abordo naturalmente nos encontros de Kyusho, por isso…

E a postagem já vai longa… um abraço (aquele) e até quarta-feira, com as noticias da II Taça Kaizen.

3 de mar. de 2011

Tora guchi

No fim-de-semana passado durante uma explicação (mais opinião do que explicação), eis que me sai o nome tora guchi… e durante uns micro segundos que pareciam mais uma eternidade fez-se um silêncio e algumas sobrancelhas se ergueram, com aquela expressão … “what a fu$& ???”

Tora guchi é nem mais nem menos do que mawashi uke.

A tradução mais correcta para Tora guchi é “boca do tigre”.

Mawashi uke pode ser interpretado como “defesa circular”, no entanto é um pouco mais complexo do que isso.

Voltando ao Tora guchi, o nome é um pouco mais “apaixonado” e fantasioso, leva-nos logo para aquelas paisagens cheios de gajos “kaninos”, com pés descalços e a trabalhar no campo, não… não estou a falar de Hobbits, estou a falar da rapaziada de Okinawa.


Esta técnica pode ser considerada como uma técnica de marca do Karate de Okinawa, basta ver que esta técnica está mais que presente em todos os estilos de Karate de Okinawa (Goju, Ueshi, Tou`Ou, Shoei , Pangainoon, Ryuei, Shorin, etc…).

Podemos considerar que o Karate em geral tem aplicações superficiais e profundas (Omote e Ura)

Omote pode ser traduzido como óbvio, aquilo que visivelmente se parece com o que é.

Ura, pelo contrário, pode significar oposto, inverso …

Kata, é “feeling”, é uma forma de reflexão em movimento (entre outras) e ao executarmos os movimentos das mesmas, deve-nos ocorrer diversas formas de executarmos as suas aplicações.

Por isso e para mim, no Tora guchi faz mais sentido, não defender só um tsuki e contra atacar, mas também executar uma chave, um estrangulamento, uma projecção, um varrimento, etc…

Nesta fase estou mais dentro do espírito, “Porradinha do princípio ao fim” e como os tigres ficam sempre com as vítimas, faz-me mais sentido utilizar o nome de Tora guchi.
Por falar de “porradinha do princípio ao fim”, vou orientar juntamente com o Sensei Carlos Pereira um conjunto de seminários, dedicados a Bunkai-Jutsu.

Mais informação em breve, vou também de viagem em breve… mas isso, isso é surpresa.

23 de fev. de 2011

Kyusho e Sanchin

De regresso a terras de Camões e depois de 3 dias com o Mestre Evan Pantazi, chego à conclusão que se tem muito que aprender e treinar, para se poder dizer que se evolui no sentido correcto.

O primeiro dia de Seminário foi dedicado ao treino dos Instrutores Certificadores (CI), mais do mesmo, pois é… Mais informação para trabalhar, treinar, pesquisar e aplicar. Cada vez mais tenho a consciência de que falar de Kyusho é uma coisa, treinar é outra, nunca é demais dizer:

“Uma coisa é falar de touros, toureá-los… é outra.”

No final do dia foram contabilizados uns cento e tal KO´s (contabilizam-se como KO todas as disfunções motoras e respiratórias e apagões).

No segundo dia os treinos foram orientados para Certifying Instructors, Training Instructors e Study Group Leaders. Mais uma vez, informação para trabalhar e explorar. Ainda deu para demonstrar um KO e já estava a trabalhar nesta técnica há bastante tempo, guardando o grande momento para este evento. Pode ser que em breve o disponibilize ao público em geral.

No terceiro dia, o treino foi dedicado ao estudo da kata Sanchin e infelizmente ficámos por aqui. Devido à falta de tempo não deu para trabalhar a Kata Naihanchi/ Tekki Shodan, no entanto tive tempo para trocar umas impressões com o Mestre e “tomei nota” de uns aspectos importantes que em breve partilharei com o pessoal.

Mais uma vez, o Mestre perguntou-me quando é que eu faço uns vídeos de Goju.

A minha resposta foi que um dia talvez os faça, se tiver garantias que ninguém me acende uma fogueira por baixo dos pés.

De notar que desta vez consegui filmar parte do treino da Kata Sanchin (Ueshi-Ryu à lá Pantazi) e o que vi é no mínimo espectacular…

Não, não disponibilizo a ninguém, “sorry” foi o Mestre que me pediu…

Parabéns FNK-P

Fiquei muito contente com a criação da comissão de festas da FNK-P. Há que festejar os 19 anos de existência da nossa Federação e muitos perguntam, porquê 19 anos?

Não podiam esperar mais um ano para comemorar os 20?

Porque é que não comemoraram os 5, 10 ou mesmo os 15?

A minha resposta é simples.

Vós, simples mortais, sois mesmo ignorantes, aqui vai uma pequena explicação…

O número 19 é o número atómico do potássio, que é a substancia responsável pelo combate às cãibras musculares.

Dezanove é o número do artigo da Declaração Universal de Direitos Humanos que diz que todo o ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão, mas também de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

IXX foi o século da Guerra Civil Portuguesa (Guerras Liberais), opondo o partido constitucionalista ao partido tradicionalista e em causa estava o respeito pelas regras de sucessão ao trono português.

Dezanove (19) é a busca da resposta, da definição, da codificação de Deus.

Mas quando se pensa que se o definiu, que se o sistematizou, que se o calculou, volta-se novamente ao início, de onde começou a busca e assim sucessivamente, na busca eterna, na busca pelo eterno.

Nota: Significa que vai ficar tudo na mesma.

Posto isto, faz todo o sentido comemorar os 19 anos de existência da FNK-P.

13 de fev. de 2011

Mais um grande evento

De malas aviadas para mais um Kyusho Instructors Course em Itália, desta vez com sessões dedicadas ao estudo das Katas Naihanshin e Sanchin …
Estas duas katas fascinam-me pela sua simplicidade técnica e ao mesmo tempo pela sua complexidade de compreensão.
Aguarda-se um fim-de-semana ... Revelador.
Até já…

24 de jan. de 2011

Karate, Escola, Empreendedorismo e Sociedade

No dia 22 de Janeiro de 2011 sob a égide da AKDK realizou-se uma acção de formação com o nome de “Karate, Escola, Empreendedorismo e Sociedade” , tendo como oradores um conjunto de prelectores fantástico (Prof. Dr. Carlos Neto, Joaquim Gonçalves, Filipe Pamplona e o Mestre Vilaça Pinto).


Uma série de frases que me ficaram na memória…


“Estamos a criar uma geração de bananas”, esta é brilhante!” Vivemos num país sem visão estratégica” (Prof. Dr. Carlos Neto) …

Entre outras...

Os prelectores chegaram a uma conclusão (todos), de que vivemos numa época de partilha de informação e conhecimento e por isso fica aqui e desde já o meu sincero agradecimento pelo convite enviado à Kaizen.

Alguém disse que vivemos numa nova era e que era preciso adaptarmo-nos às novas tendências e uma das soluções seria criar métodos on-line (aulas).
Ora isto é brilhante, como é que nunca tinha pensado nisso, muito obrigado por terem tido essa ideia.

Nota muito positiva…
O trabalho do Sensei Jaime Reis!
Foi a primeira vez que vi o trabalho “in loco” e gostei muito e estou a pensar introduzir muitos daqueles exercícios na parte preparatória das minhas aulas.

Ficam aqui os meus parabéns ao trabalho desenvolvido.
Voltando a coisas mais sérias (ou não)…

Acho incrível a forma congruente como certas pessoas se apresentam perante a sociedade e é admirável como acreditam naquilo que dizem…
As pessoas deviam ler o artigo do Sensei José Ramalho.

Com base no artigo do Sensei José Ramalho vou escrever uma crónica sobre “O Paraquedista”… mas isso é só para a semana.

19 de jan. de 2011

1ª quinzena de Janeiro

Podia começar a escrever por um lado qualquer, que qualquer lado seria interessante, no entanto vamos lá tentar por as ideias em ordem, pelo menos tentar…

Treinos, muito treino, estou a começar a entrar no ritmo, não que seja muito elevado, mas estou a começar…

Por falar em treino, o treino com os Senseis Carlos Pereira, Armando Inocentes, Leonardo Pereira…

Foi uma manhã engraçada de trabalho e partilha de conhecimentos, diversas formas de ver e interpretar as mesmas Kata.

Deu para trabalhar ainda a Pinan Shodan e Matsumura Rohai com o Sensei Carlos Pereira.

Por falar em Pinan Shodan, estou quase a acabar a “pesquisa” da Pinan Shodan/ Heian Nidan. Está a ficar um trabalho muito engraçado, em breve vou demonstrar esse trabalho por esse Portugal fora, tipo Linda de Suza com a sua mala de cartão… neste caso com o troley da Billabong.

No dia 12 de Janeiro estive numa escola (Ruy Belo) a entregar uns Karate-gi a miúdos de um projecto curricular alternativo.

O Sensei Nuno tinha-me prevenido que os miúdos podiam ser um pouco problemáticos e para ajudar estavam excitadíssimos por receberem os fatos de Karate.

Surpresa das surpresas, quando os miúdos vestiram os fatos transformaram-se… para melhor, claro.

Realmente há coisas que não consigo compreender e isto é uma delas…

Porque é que o vestir um simples fato de Karate afecta as pessoas?

A mim continua a afectar… sempre que visto o fato, dá-me um prazer enorme…

Todo o trabalho merece ser remunerado de forma justa

Como instrutor/mestre (Treinador) de karate, é frequente deparar-me com um dilema que muitos colegas também enfrentam: a questão do dinheiro...