25 de abr. de 2010

Kata ou Catá???

Esta semana apareceu um tema quente no Youtube, se não viram, aconselho vivamente a darem uma vista de olhos aqui


Apesar de não gostar e não me identificar, não fico totalmente escandalizado com a acção.

Fico triste é com o aparecimento tardio. Quando falam na evolução da modalidade e que o não evoluir para novas práticas é ficar para trás perante uma sociedade moderna...

Arriscamo-nos a ter que "comer" com isto.

Depois, veêm para a praça pública feitos em Maria Madalenas arrependidas, armados em moralistas e defensores dos valores tradicionais da modalidade.

Só tenho a dizer uma expressão que se costuma utilizar na minha guerra... "azar do c@#@*¡º", ou então para ser mais simpático e utilizar uma expressão ppular... "Quem semeia ventos, colhe tempestades".

Aqui vai uma pequena reflexão...

Os Caratékas andam a dormir, mais uma vez está provado que a comunidade do Karaté tem uma visão muito limitada do que se passa à sua volta. Quem tem a representação das Katas Musicais em Portugal é a Federação Nacional de Full Contact e Kick Boxing, eles sim, de uma forma inteligente preferem chamar "formas musicais", assim e segundo a minha fonte (mais do que fiável), não ferem susceptibilidades.

Se não me engano, um dos grandes impulsionadores deste trabalho foi um rapaz, a esta altura já Senhor Nelson (??). Membro da selecção nacional da FNK-P e sócio da ASKP (?) recordo-me de ele me falar nesse projecto, quando nos cruzamos nos corredores de um Wealth Club (Solplay) à 10 anos atrás... Pois é... 10 anos, isto já faz de mim um "mais velho". Recordo-me disto, porque na altura fazia quase 10 anos que tinha deixado de competir pela selecção da FNK-P. ....


Só um momento....


Vou chorar um bocado e cantar o "Ó tempo volta para trás".

Recuando cerca de 20 anos atrás, havia um senhor Canadiano chamado Jean Fenetre, que fazia uma demonstração soberba durante a abertura dos Campeonatos do Mundo da antiga WUKO em Granada.


Já estou a ouvir algumas vozes a dizer que hoje faz Goju Ryu, como se isso fosse um factor desculpante...

Por mim...

Fogueira com o gajo.


Nesse mesmo ano a equipa de Kata de Espanha, fazia uma demonstração de música e bailado com umas bailarinas.... "que paniiiiisgas!!!"

Fogueira com os gajos…


Já agora, demonstrações de Kobudo com música…

Fogueira com os gajos.

Ah!! É taiko?

Prontos dê-se um desconto, uns açoites chegam...


Falando agora muito a sério:

Chamem-lhe Catá ou Katá, tudo bem... só não chamem Kata.

Façam como a rapaziada do Full/Kick, não firam susceptibilidades.


Um conselho...

Quando chamarem Karaté, tenham atenção aos perigos da modernização.

Sim, é preciso adaptarmo-nos e termos a consciência de que somos agentes de ensino, no entanto, devemos (acho eu) mantermo-nos ligados ao Karate como actividade cultural, não que seja contra a competição, pois considero-a uma montra para a nossa prática.


Como dizia um Sensei do Algarve "um mal necessário", subscrevo essa expressão.


Na próxima postagem vou falar de novas oportunidades...

Pela primeira vez vou tornar público a minha opinião e direcções que acho que seriam correctas para o desenvolvimento e projecção do Karate.

Just my 50 cents…

14 de abr. de 2010

Discutir o quêeee???

Esta semana "discutia" com um colega marcial sobre um determinado assunto e cheguei à conclusão de que não havia discussão possível....

Por exemplo, a Kaizen tem um grupo de Fans no Facebook e foi lá colocada uma questão para ser debatida.

A maior parte das pessoas deu uma opinião muito curta ou então deixou um "testamento".

Tenho por costume dar uma vista de olhos em certos Fóruns, redes sociais e outras e uma das coisas que me apercebo, é o facto de grande parte das pessoas não sabe discutir.

A maior parte das pessoas escreve/fala como se estivessem a vender o seu peixe.

Não creio que essas pessoas queiram parecer e demonstrar uma certa superiorioridade sobre os outros (alguns querem), no entanto e muito inconscientemente, estão a calar os outros e não estão a incentivar a dita discussão.

Muitas vezes, as pessoas podem não ter o dom da fala ou da escrita e no entanto podem ter ideias muito boas.

Ideias estas e conceitos que podem ser aproveitadas e desenvolvidas.

Esta é uma história que foi presenciada por mim e por outros Tugas em Madrid.

Estávamos numa conversa qualquer durante um seminário com o Mestre Pantazi, mesmo no final.

Uma das sessões foi dedicada ao tal "breakdown" (bunkai) de diversas Katas.

Perante uma plataforma de ilustres instrutores, o Mestre ia dando ideias sobre aplicações de diversos movimentos e sequencias.

Eis que no meio da sessão, alguém pergunta qual a opinião do Mestre sobre um determinado movimento de uma determinada Kata.

Antes do Mestre poder responder, eis que rompe um instrutor "nuestro hermano" e diz:

O movimento significa isto (ponto).

Foi dito de uma forma, que se alguém contrariasse o senhor, ia haver "confusão".

Perante isto, o Mestre Pantazi disse:

É isso mesmo... Tem toda a razão (ponto).

Perante isto, o Senhor ficou todo contente, com o peito cheio de ar e o ego em alta. De seguida, o Evan Pantazi perguntou com o olhar fixo neste senhor...

Mais alguma questão em que vos possa ajudar?

E ninguém respondeu, ficou um clima de desconforto criado pelo tal sr. que mais ninguém quis perguntar nada.

E prontos...

Lá voltámos ao hotel e mais tarde voltámos a casa...

Mais pobres, pois podíamos ter continuado o tempo que fosse preciso com o Mestre.

Para mim, esta foi uma grande lição, que aprendi com um Grande Mestre.

Se as pessoas estão convictas naquilo que dizem/sabem, não adianta esgrimir...

Pois não se vai chegar lado algum...

Nesta vida, não existem "eleições" nem eleitorado...

Fazemos aquilo em que “estamos” convictos que…

Há coisas que não vale a pena discutir (ponto).

7 de abr. de 2010

De volta...

Há bastante tempo que não postava no Blog.

Estive bastante atarefado nestas últimas semanas, nem sei por onde começar...

Vamos começar pelo fim...

Depois de 10 dias super intensos eis que o GM Jim Corn volta aos U.S. of A com uma excelente ideia do Kyusho Português.

Para começar houve Kyusho Tactical Control Program, apenas para instrutores da Kyusho International.

Com uma modesta presença de 15 instrutores de diversos pontos da Europa, foram reconhecidos e certificados os primeiros instrutores KTCP Europeus.

Ainda houve direito a um treino reservado a instrutores de Karate com o GM Corn onde foram abordadas as famosas "hand positions" do Livro Bubishi.

De seguida ainda uma pequena demo de Kata "Breakdown", onde o GM Corn fez uma rápida leitura de alguns movimentos que lhe iam sendo apresentados.

Passados alguns dias estivemos na bela Cidade de Évora, onde fomos muito bem recebidos pelo Alexandre, Manuel e Varandas.

Evento muito bem organizado, o local do treino foi muito bem escolhido e teve uma afluência muito boa (forças de segurança, senhoras, artistas marciais).

Para finalizar, estágio no norte, mais propriamente na cidade de Matosinhos, onde foram abordados diversos temas e treinados diversos níveis.

Para finalizar foram efectuados diversos KO como demonstração.

Acabado tudo isto, dá-se inicio a mais uma(s) etapa(s).

A Kaizen tem pela frente diversas actividades:
- O Torneio Nacional Kaizen
- O Estágio Internacional Kaizen
- O encontro inter-Dojos -Kaizen
- O workshop de Shiai Kumite para Jovens

O que vale é que existem diversas pessoas a trabalhar nestas actividades e isto não me cai em cima dos ombros, no entanto há que coordenar toda esta actividade.

Ah!!!!

E ainda tenho de prestar apoio familiar...

A vida não é fácil, mas também ninguém disse que era.

Tenho andado de volta dos baús e relíquias...
Tenho encontrado coisas interessantes... artigos, fotos, cartas...
Quando começo a olhar para as datas de tudo isto, começo a sentir-me..........
Bem, já lá vão 25 anos sem parar....

É fruta!!!

Como é do conhecimento geral, fui furtado, roubaram-me o carro e não bastou entrarem e levarem o que estava lá dentro, como decidiram levar a viatura para dar provavelmente uns giros pela capital e divertirem-se pela noite.

O que me faz falta realmente:

- O livro Bubishi
- Uma enciclopédia gráfica de medicina Tradicional Chinesa.
- Um livro do Mestre Pantazi
- Uma pen-drive, se virem fotos minhas na net em poses sensuais e com roupa interior de cariz suspeito... Já sabem... Era o sonho de muita gente e falo de diversos sentidos... By the way, não reparem na barriguinha.
- Um livro de apontamentos que tenho reunido ao longo de quase um ano sobre a kata Suparinpei.
- E acima de tudo, a mala de cabedal, que não tem valor, era do meu Pai.

Se os meus ladrões estiverem a ler isto…dão se alvíssaras contra a entrega destes objectos.

Bem, adiante…

Como não vale a pena chorar sobre leite derramado, eis que decidi arrancar com um novo projecto, uma nova Kata e provavelmente uma fogueira. Mais informações serão distribuídas a seu tempo.

By the way... as cuecas fio dental das fotos não são minhas, são de um alentejano que dá aulas para os lados de Massamá.

Neste momento, estou a trabalhar com o Sensei Armando Inocentes num projecto, a ser apresentado no início da época, vamos ver se conseguimos fazer as coisas a tempo.

Bem...como esta postagem não teve grande interesse, assim me despeço.

Sayonara!

PS. Se me virem algemado a um gradeamento, essa foto foi tirada durante uma instrução...

E essa pessoa não sou eu, é um tipo que vai ter de cortar metade da casa.

8 de mar. de 2010

ASSUSTADOR!! ... NÃO??

Uma em cada 4 crianças já sofreu bullying.

O bullying é um comportamento que se caracteriza pela ameaça ou agressão de forma intencional e repetida e que ocorre sem motivação evidente.

"Há alturas em que a criança, para se sentir segura, precisa de mostrar aos outros que é mais forte, … o bullying pode ser encarado como uma forma de exorcizar os medos."

Este comportamento é praticado por um sujeito ou por um grupo de sujeitos, com o objectivo de intimidar ou agredir outro sujeito ou grupo de sujeitos. É praticado por crianças ou jovens que têm, por qualquer motivo, mais força e poder que a vítima.

A escola é um dos lugares onde o bullying é exercido com frequência, uma vez que neste espaço convivem diariamente crianças e/ou adolescentes. Pode ocorrer dentro ou fora da escola, em zonas onde a supervisão adulta é mínima ou inexistente e não está restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.

Para garantir a conquista pelo poder, "os agressores vão detectando as suas vítimas nos recreios da escola". O bullying baseia-se, por isso, numa luta desigual: há uma vítima e um agressor (também conhecido por bully). As vítimas são, normalmente, "miúdos emocionalmente retraídos e com menos capacidades para encontrarem soluções ou fazerem queixa".

O bullying é um problema grave que acontece todos os dias, um pouco por todo o mundo, e que pode levar a vítima à depressão, à perda de auto-estima e, em último caso, ao suicídio conhecido por "bullycide".

5 de fev. de 2010

Artistas Marciais...parte II

De malas aviadas para Frankfurt e desta vez para orientar um Seminário de Aplicação do Kyusho no Kata.

Eis que me vejo na obrigação de cumprir o que prometi...

A postagem seguinte!!

O que o Karate tem em comum com as modalidades desportivas, é nada, niente, nothing, rien, néstum.

Faz parte da natureza humana competir.

Competimos para ser mais fortes, mais rápidos, etc....

Quando se fala de Karate como desporto, gosto de o comparar a uma dança.

A dança é uma forma de expressão corporal, certo?

No entanto existem competições de dança (danças de salão, Hip Hop, etc...).

Apesar disto, ninguém fez cavalo de batalha tornar a dança num desporto.

Além da questão se o Karate é um desporto, uma arte marcial ou "what ever", creio ser fundamental encontrar e desenvolver modelos pedagógicos para a prática do Karate como modalidade.

Uma das grandes lacunas em Portugal, prende-se com o facto de não haver grande formação na área do Karate Infantil.

O "MEU" Karate é Marcial, no entanto esse Karate só é ensinado (no meu caso) a quem o pretende aprender.

Como diz o meu amigo Giannola, "Já sabes tudo o que te ensinei, mas não sabes tudo o que eu sei".

O (meu) Karate Marcial, não é um Karate de violência, nem um Karate de "Luta" é um Karate "Shiai kokoro kamae".

É um estado de espírito (Kokoro) competitivo (Shiai) de forma a melhorar as minhas capacidades de alerta (Guarda - Kamae).

Não ando na rua à espera que me ataquem, nem ando de Katana debaixo da gabardina "à La Highlander".

Tento estar alerta e ter a percepção do que me rodeia e tento melhorar essa capacidade todos os dias.

Este fim-de-semana vou abordar um tema interessante em Frankfurt, a aplicação do Kata de Karate em defesa pessoal tendo em consideração os tempos em que vivemos, num estado de direito.

Espero que continuem a seguir este Blog, na terça-feira faço uma próxima postagem.

Até lá ...

2 de fev. de 2010

Artistas Marciais...parte I

Cá estamos nós novamente...

Esta é a primeira postagem e é uma contra-opinião ao do Sensei Armando Inocentes (ver blog).

Vou tentar começar do princípio e de uma forma lógica...

Budo, significa Caminho Marcial.

Este termo começa a surgir devido à "pacificação" no Japão durante o Xogunato Tokugawa...

Antes existia o termo BuJutsu (Arte Marcial). No entanto o Budo começa a ganhar mais relevância durante a Restauração Meijin, tempos que definem entre outras medidas o "fim" das classes guerreiras Samurai.

Agora...

Existe uma questão pertinente…

Onde se encaixa o Karate nesta definição?

Na sua origem, em lado nenhum, pois o Karate (Te) era uma forma de combate civil praticado pelos habitantes de um arquipélago a sul do Japão (a Ilha de Okinawa).

Se analisarmos os termos utilizados até essa data, reparamos que não existe o termo Marcial.

Nos livros dos "especialistas", tais como McCarthy, refere-se a esta forma de combate como "civilian fighting arts".

Não seria correcto chamarmos Arte Marcial ao Karate.

Marcial na "verdadeira" concepção da palavra significa guerra e as guerras são travadas por forças militares (??).

Desta forma seria pouco correcto afirmar que a arte Marcial está ligado ao Budo.

Não acho que seja o mais correcto.

No entanto para uma maior compreensão do público em geral, compreende-se a utilização da expressão.

Para alguns (e não são poucos) da nossa classe, o Karate era o que os camponeses aprendiam para dar "porrada" nos samurais, claro ....

Isto seria tema para outra postagem…

Quando praticamos Karate Tradicional (o tradicional aqui é relativo e concordo com o Sensei Armando. Pode também ser uma desculpa ao receio da mudança), podemos faze-lo como uma forma de combate. Combate não significa necessariamente vale tudo até à morte. O crime combate-se, os fogos combatem-se, até mesmo as paixões podem ser combatidas.

No fundo, poderemos dizer que combate pode significar "dominar" ou mesmo "controlar".

Quanto ao Karate ser um desporto...

Bem, isso fica para 6ª feira, que esta postagem já está longa e o Nokia E63 já está a ferver.

27 de jan. de 2010

De volta em 2010

Ora cá estou eu novamente às voltas pela terra de Camões.

Depois de uma pausa de 3 semanas eis que estou de volta às minhas voltas e treinos das Artes. O fim-de-semana passado estive no Norte do país para orientar uma sessão de Kyusho aplicado ao trabalho de Kakie de Goju Ryu com um grupo muito simpático.

Um muito obrigado pela recepção.

Apesar de andar afastado deste espaço virtual, não quer dizer que não esteja atento ao que se passa pelo mundo do Karat.

Uma das coisas que me continua a preocupar dentro do Karate, é a necessidade (para alguns) de transformar o mesmo num desporto.

O Karate é uma actividade física, mas isso, não faz da modalidade um desporto.

"Just my opinion".

É urgente criar modelos de pedagógicos e de marketing para voltar a dar uma nova força e protagonismo ao Karate.

Na minha opinião (e do Monsieur Didier) é preciso apostar no desenvolvimento do Karate de Defesa Pessoal, Tradicional, Contacto e modificar as regras desportivas do Karate.

Enquanto andamos a reboque de idealistas, os Franceses recusam-se a falar de Karate Olímpico durante os próximos 40 anos.

Se desejarmos ganhar esta batalha é necessário começar a trabalhar desde já e é preciso criar um objectivo a (muito) longo prazo.

Provavelmente serão outros a colher os louros desse projecto.

Ou não.

O Karate é uma actividade física que por vezes requer contacto.

Não nos podemos esquecer das escolas de Shotokai que se recusam a trabalhar Kumite.

Serão essas escolas menos Karate do que as outras?

Então e o Kyokushinkai?

É menos Karate porque já implica mais contacto?

Qualquer que seja o discurso em relação a qual a orientação que o Karate deve ter, esta orientação será sempre ... subjectiva (???).

Quando a maior parte das vezes apontamos as diferenças que nos separam, esquecemo-nos dos pontos que nos são comuns.

E um dos grandes erros que necessariamente faremos é a tentativa de uniformização...

Nós somos apenas Artistas Marciais...

Mas isso é o tema da próxima postagem.

Todo o trabalho merece ser remunerado de forma justa

Como instrutor/mestre (Treinador) de karate, é frequente deparar-me com um dilema que muitos colegas também enfrentam: a questão do dinheiro...