8 de jun. de 2011

Associação Nacional de Treinadores de Karate

Independentemente do que se possa dizer da ANTK, ela existe!

Não tem estado activa como muita gente deseja, nem tem feito grandes acções, como seria de esperar.

Na minha perspectiva, nunca existiu um grande interesse na área da formação.

Os próprios treinadores “depositam” esse ónus nas associações de estilo, formação para ser formação de Karate, tem de ser contínua, e isso deve ficar a cargo das associações de estilo(s).

Uma coisa é certa, depois do seminário “Da criança ao jovem karateka”, notou-se um interesse crescente, na formação apoiada em “métodos mais científicos”.

Após o seminário organizado pela AKDK (quero agradecer mais uma vez o convite efectuado) têm-se levantado vozes (cada vez mais), pela organização deste género de acções.

A acção de formação com o Prof Ashieri foi um sucesso, as inscrições encerraram num instante.

A grande questão que se coloca neste momento é muito simples!

Será que estão reunidas as condições necessárias para voltar a activar a ANTK?

A minha resposta é clara … SIM.

Na minha opinião, acredito que se deve olhar em frente e esquecer o passado.

Devem-se criar objectivos, planear e agir.

No passado, ninguém se lembrava da ANTK e se calhar foi por causa disso que a chama abrandou.

Neste momento existe uma necessidade e há que aproveitar essa mesma necessidade para arrancar em força com novos projectos, novos objectivos e novas ideais, acções inovadoras que façam com que a classe de “treinadores” de Karate se torne visível.

Todos os “agentes” de ensino, devem-se juntar em prol da classe e da modalidade, partilhando ideias, criando sinergias para um melhor funcionamento e uma maior projecção da modalidade.

A ANTK renovada deve arrancar com um espírito de entrega, altruísmo, …

Se for nesse sentido, podem contar com a colaboração de muita gente …

6 de jun. de 2011

Federação Nacional de Karate – Portugal

Como o prometido é de “vidro” ….

Aqui vai uma série de curtas reflexões sobre a Federação, as associações, a associação de treinadores.

Como se diz em estrangeiro … “First things first”

Federação Nacional de Karate – Portugal

É de reconhecer que a nossa federação tem desenvolvido um trabalho regular, com uma qualidade acima da média.

A prova disso é a organização de formações com grandes entidades internacionais, manutenção do estatuto de Utilidade Publica Desportiva.

No entanto continuamos muito aquém do que se deseja e se ambiciona para a modalidade. Assinam-se protocolos, fazem-se parcerias, criam-se eventos, promete-se mundos e fundos … grande parte dos resultados aparecem. No entanto os principais interessados continuam a saber os resultados das acções por portas e travessas, não que a Federação esconda as coisas, mas porque continua a existir uma falta de comunicação enorme entre a federação e o resto do “mundo”.

Navegando um pouco pela internet (eu sei que existem pessoas que não lêem nem querem saber desta forma de comunicação) é muito raro ver a Federação sair da rua do Cruzeiro para promover perante o público em geral o Karate Nacional. São os clubes e/ou as associações de estilo (ou multi-estilos) que conseguem fazer esse trabalho.

Seria interessante analisar o porquê desta inércia.

Um exemplo:

Vão se realizar as comemorações do XIX aniversário da FNK-P e vão ser expostos DEZENAS de totens (segundo dados da Federação) no Parque Eduardo VII.

Um evento destes deveria estar a ser publicitado pela FNK-P com alguma veemência …

Onde está essa publicidade?

Uma pequena pérola (sorry): “se calhar vão trazer charters com dezenas de Karatekas sócio”.

Sim, de facto conseguimos o Estatuto de UPD.

Sim, o Presidente da FNK-P faz parte do COP.

Sim, a FNK-P está muito bem vista perante o IDP, mas estes processos já estão concluídos.

Não seria interessante avançar na procura de novos objectivos para a modalidade?

Todos estes objectivos foram alcançados há 2 ou 3 anos, não nos vamos agarrar a isto ad eternum, pois não?

Espero que não …

Como o meu limite de postagem é uma folha de A4, e como já atingi esse limite…

Até 4ª feira.

31 de mai. de 2011

Karate escolar

Falava eu na semana passada sobre o Karate como desporto escolar e o seu enquadramento escolar, professores, etc.

Falando curto e duro … treinadores, instrutores, mestres, sensei, shian e tudo o mais, esqueçam o desporto escolar. Não têm a menor hipótese, não vão conseguir competir contra uma classe que está “à rasca”.

O melhor que se pode conseguir é dar umas aulas nas AEC`s.

Se não existirem professores interessados em utilizar os pavilhões…

Pois se eles acharem que conseguem ganhar mais uns “créditos”, dando mais uma ou duas horas na escola, os coordenadores responsáveis pelos pavilhões, de certeza que vão que lhes vão dar prioridade...

Dizia um colega meu de profissão, que está ligado àquilo dos desportos de combate, há que olhar para o que o sistema de ensino tem para oferecer e colmatar essas faltas, com a introdução da vossa modalidade nos sistemas de ensino (escolas).

Voltando uns dias atrás…

O método apresentado pelo Prof. Pierluigi é interessante, acho notável a metodologia, a visão e a estratégia, mas temos de “reter” alguns pontos interessantes.

A realidade da FILJKAM (Federação Italiana) não é a mesma que a nossa.

A realidade da política não é a mesma, eles tem apenas uma tutela, nós temos a confusão do ministério da educação que é responsável pelo desporto escolar, temos a secretaria de estado da juventude e do desporto que é responsável pelo desporto nacional.

Das primeiras coisas que me chamaram à atenção foi o facto de que em Itália, este modelo é praticado em clubes com tatami e isso não é possível em Portugal

O modelo de ensino que nos é apresentado, é um modelo onde as crianças fazem “um karate que não é o objectivo, mas sim o meio”, há que pensar e reflectir nesta frase.

Devemos aproveitar este modelo (e outros) para desenvolver o nosso próprio modelo, sem receios.

Não duvidemos que temos excelentes “profissionais” que podem agarrar o Karate infantil e desenvolve-lo de uma forma nunca antes visto (se calhar melhor que os Franceses ou mesmo Italianos).

Perante estes factos, cabe-nos a nós, agentes de ensino, colocar os pezinhos na terra e começar a pensar (objectivar, planear, trabalhar) no que queremos e no que nos é permitido fazer, qual é a nossa margem de manobra…

O acima mencionado, leva-nos inevitavelmente a ter de falar em associações e como geralmente sou apontado por ser “desagradável” quando falo de alguma coisa em específico, lá terei de escrever.

Mas isso terá de ser para a próxima semana. Vou colocar umas ideias sobre a Federação, as associações, a associação de treinadores e por fim uma reflexão final.

Até lá…

Até já!

25 de mai. de 2011

Karate infantil

Não passava (leia-se escrevia) aqui há já alguns dias…

Falta de tempo, paciência…

Começo a sentir o desgaste de final de época e este vai ser particularmente duro pois ainda falta o Gasshuku Europeu da GKI.

Mas apesar de não estar aqui, não quer dizer que não tenha treinado, ou não tenha assistido a formações.

Bem pelo contrário: Kyusho, Karate, Karate Infantil…

E é sobre o tema Karate Infantil que vou escrever hoje.

Nos passados dias 21 e 22 de Maio de 2011, assisti a uma formação do Professor Pierluigi Aschieri sobre Karate infantil.

Confesso que gostei muito do que vi e especialmente do que ouvi…

Estava à espera de levar com o discurso de Karate desportivo e que aquilo é que iria formar os campeões do futuro, “and so on”, “and so on” ….

Com uma demonstração real de um estudo científico sobre os benefícios do Karate nas crianças, falou sobre a importância da motricidade e a ausência dessa mesma motricidade nos dias de hoje.

Com a realização prática de exercícios (com jovens alunos de diversas escolas, que já utilizam este método), a parte da tarde foi ocupada de uma forma muito interessante e lúdica.

No segundo dia, mais do mesmo, de manhã teoria, de tarde prática, com mais exercícios.

Fica-me retido na memória o “conselho” dado por este Sr. (S bem maiúsculo):

“Portugal tem de procurar um modelo de formação que se adapte à sua realidade, este modelo é bom em Itália, porque o sistema politico é diferente”.

Continuo a achar que os treinadores/instrutores portugueses andam demasiado preocupados e concentrados em projectos que não tem a mínima hipótese. Falo no caso específico do “famoso” desporto escolar.

O desporto escolar é para os professores (ponto).

Quando me refiro aos professores, não falo só nos professores de Educação Física, falo em todos os agentes de ensino do Ministério da Educação.

Esta é a nossa realidade, temos professores a recibos, contratados, deslocados, “desalojados” e não temos a menor hipótese de contribuir para o “enterrar” desta classe, é uma questão de utilizar um pouco a cabeça!

Se há falta de emprego na classe, faz sentido criar buracos para o aumento do desemprego?

NÃO.

No final da semana concluo a postagem…

Até lá

Ciao!!

22 de abr. de 2011

Nem tudo é o que parece...

Dizia eu a semana passada que “As Kata não começam com uma defesa, mas sim com uma Uke Waza”

Uma das coisas que me intrigava no passado era a ideia de “Tori” e “Uke”…
Se Uke é “defesa” porque é que o fulano a quem chamavam de Uke era o que atacava sempre? E o Tori que era o que defendia?

Depois de algumas pesquisas e conversas com amigos que percebem mais disto do que eu, foi-me explicado que a palavra Uke pode significar absorver…
Então neste sentido, o Uke no trabalho a dois já começa a fazer sentido, pois é ele que vai receber a técnica…

E a palavra Uke de “Age-Uke” será que essa palavra tem o sentido de defesa?
Se analisarmos a forma “básica” (Kihon) de um Age-uke, a melhor maneira de interpretar o movimento é ver o movimento como uma defesa. No entanto, quase todos os estilos executam essa defesa em dois tempos, o primeiro tempo é utilizado como uma forma de “absorção” e a segunda como uma forma de bloco e este tempo sim, de uma forma “dura” e “rígida”.

Tendo em conta que o Karate foi desenvolvido como uma forma de combate, (praticado por civis), não será estranho pensar que o movimento na sua plenitude é apenas e exclusivamente uma defesa?

Será de todo impossível pensar que naquela complexidade de movimentos não estará uma “porradinha” pelo meio?

Por baixo deste post vão estar três vídeos, o primeiro tem a Kata Gekisai Dai Ichi, o segundo um Kihon Renzoku Bunkai (aplicação básica contínua) e o terceiro uma Oyo Bunkai (Aplicação Livre)…

Nota: Tive a preocupação de escolher diferentes protagonistas/Organizações





14 de abr. de 2011

Bunkai Jutsu ...

Nestes últimos 5 anos tenho tido a oportunidade de treinar e falar com verdadeiros “monstros” das artes marciais, ou se preferirem, das artes de combate…

No passado dia 9 de Abril de 20011, realizou-se o primeiro seminário de “Bunkai-Jutsu, Pinan Shodan”.

Este seminário foi uma “aposta”, feita por mim e pelo Sensei Carlos Pereira e o objectivo foi promover o estudo e desenvolvimento das aplicações das Kata numa versão menos comum e menos básica.

Com uma participação de 30 praticantes (o limite de inscrições era 40), o evento foi bem sucedido e pelo que tenho visto os participantes ficaram bastante agradados com o que receberam.

Da minha parte (e acredito que posso falar pelo Sensei Carlos Pereira) falhou apenas uma “coisita”, não conseguimos “desmontar” a Kata toda … Sorry!!

Eu e o Sensei Carlos já falamos um com o outro e já acertamos algumas agulhas, isto demora um pouco, mas vai lá.

Como forma de resposta de alguns emails que tenho recebido, vou tentar postar um conjunto de “pensamentos/estudos” que tenho vindo a desenvolver e a estudar ao longo destes anos…

Um dos primeiros princípios que me guiam na minha pesquisa, é que qualquer técnica, dentro do “set técnico” da Kata, pode/deve terminar o confronto.

O que é que eu quero dizer com isto.

Apesar de todas as Katas de Karate começarem com um bloco/defesa, não quer dizer que a técnica seja efectivamente uma defesa.

Vamos lá ver… quase todas as defesa nas Katas são efectuadas para a frente, não será isto um pouco estranho?

Se eu me quero defender, recuo, não vou avançar em direcção ao ataque (excepto em estratégias pré concebidas).

Sempre que uma situação de “stress” evolui para conflito, devemos tentar resolver e terminar o mais depressa possível, o esgrimir em situação real, não é eficaz nem seguro… “Trust me”.

Mas… estará muita gente a pensar, porque é que todas as Kata começam com uma defesa?

As Kata não começam com uma defesa, mas sim com uma Uke Waza …

Este fim-de-semana vou ficar por casa (vou tentar), por isso vou continuar esta postagem no Domingo…

Até lá… Sayonara!!

6 de abr. de 2011

Masaji Taira



Depois de treinar à duas semanas atrás com um grande Mestre (Onaga) foi a vez de voltar a treinar com três grandes Mestres (Taira, Kinjo, Gima), desta vez em Udine-Itália.

O ano passado, tentei treinar com o Sensei Masaji Taira na Sicília, no entanto não foi possível, pois o seminário era reservado exclusivamente a membros da Judokan So-Hombu.

Descobri este seminário através do Facebook e prontamente falei com o Sensei Andrea Buttazoni, sobre a possibilidade de poder frequentar o seminário, tendo me respondido prontamente de forma positiva.

A recepção foi calorosa, só podia, afinal a rapaziada é Italiana, foi aí que tive o prazer de conhecer pessoalmente o Sensei Andrea, um excelente instrutor, com uma grande experiência nas artes marciais. Começou por fazer Kung-fu, treinou em Shaolin - China nos anos 80, tendo mais tarde se apaixonado pelo Karate Goju Ryu, treinou com o Sensei Myazato em Okinawa por diversas vezes.

Mais uma vez deixo aqui o meu agradecimento ao Sensei Andrea, os meus sinceros agradecimentos por me ter dado a oportunidade de poder treinar com este grupo de instrutores.


Quanto ao estágio…

O Goju Ryu praticado por estes Senhores é muito diferente do que os comuns dos mortais estão habituados, no entanto, é o Karate que eu pratico (pelo menos tento) um Goju mais fluido, mais direccionado para a Bunkai.

Com uma extrema sensibilidade técnica, leveza e fluidez o Sensei Taira foi dando o mote para um estágio completamente diferente do que estava à espera.

O primeiro dia foi passado exclusivamente com o Sensei Gima, sendo o treino direccionado para Kihon Kata, foram trabalhadas as Kata GekiSai dai Ichi/Ni, Saifa, Seiyunchin, Shisochin, Sanseru e Sepai, com as respectivas “Adbanced” Bunkai.

O Karate deste instrutor é muito direccionado para a efectividade do movimento… não é bonito, mas é Goju Ryu.

Durante a semana continuo o “report”… até lá apreciem o vídeo do Sensei Taira com a Bunkai da Kata Sepai.

Todo o trabalho merece ser remunerado de forma justa

Como instrutor/mestre (Treinador) de karate, é frequente deparar-me com um dilema que muitos colegas também enfrentam: a questão do dinheiro...